18 de jul de 2016

Propriedade Particular



 Vez ou outra, pergunto-me quando exatamente comecei a fazer minhas escolhas, e por vezes questiono se eu faço alguma escolha por mim. 
 Quando a gente é criança não pensa muito profundamente nisso. Vestimos o que escolhem para nos, comemos o que tem na mesa, rezamos - ou não - para a imagem posta na sala e ouvimos o que colocam no rádio. Só temos contato com algo realmente diferente na escola, e a princípio, quanto mais diferente maior é a tendência a querer evitar. Até que um dia a gente não consegue mais escapar, e nosso mundo começa a se expandir.
 As vezes, sabemos que somos diferente desde tenra idade, quando aquilo que é posto como nossa realidade não nos satisfaz. Nos perguntamos se é errado, deve ser errado, caso contrário nossos pais teriam falado sobre isso, certo?
 É tão claro quanto a água que nossos pais tentam nos criar conforme o que acham melhor ou certo para nos, mas e se queremos desviar desse "certo"? E o se o que eles acham melhor é o reflexo de um preconceito?
 Ai você cresce mais e começa a dizer não,
 Não quero. Não vou. Não concordo.
 Rebelde! Sem educação! Como pode não gostar de cebola? Como pode não querer usar essa blusa? E Deus! Como assim ele não existe pra você? Tem que existir! Boate? Amigo gay? Criei errado! 
 E vem aquela famosa frase: "não discute com ele/a, é seu/ua pai/mãe". Mas se a gente não pode discutir, falar o que pensa e o que acha, como vamos crescer? Como vamos conhecer os pais que temos e eles irão nos conhecer? Talvez tenhamos a tendência de discutir com um tom elevado, mas entenda, ficamos sem discutir por muito tempo, porque por muito tempo não pudemos ou foi nos dada a chance de pensar sobre isso.
 Até quando os pais vão pensar que os filhos de gostos e crenças diferentes são má criação, e não que são o que são muito antes de nascerem. 
 Já achei que meus pais me viam como o reflexo deles, ou um tipo de propriedade, alguém a quem esperam muitas coisas e querem que seja uma, por isso também penso que sou uma das grandes decepções, uma vez que entre os meus irmãos sou a famosa dos "não" e de ir para lugares que não se encaixa nos gostos de meus pais. É preciso a percepção de que os filhos não são algo que se possa controlar ou determinar, claro, pode-se ensinar algumas coisas ou outras, mas se todos somos feitos de pó de estrelas, cada pessoa é um universo.
 Talvez muitas brigas poderiam ser evitadas com essa noção. 
 Por isso eu vou continuar sendo decepção. Aquela que não escuta só jazz e rock, mas também pop e funk, que colocar saia longa e curta, que diz não, que não vai escolher a profissão pela "seguridade", que vai continuar indo pros lugares que  curte e vai discutir preconceitos dentro de casa. Pode ter certeza de que não vou machucar ninguém no processo de viver minha vida, porém vou seguir o caminho que EU escolher.
 Porque no momento que a gente percebe que só pertencemos a nós mesmo, uma propriedade  particular, a gente começa a ser quem realmente queremos ser, e não o que os outros nos impõem.

"Eu tenho que me sentir bem do jeito que eu sou, não do jeito que as pessoas querem que eu seja"
— PC Siqueira

2 comentários:

  1. Olá, aqui é o Kuroi, mensageiro do Onigiri quase Prédio

    Vim avisar que tem presentinho pra você no Onigiri! <3
    Beijos!
    http://onigiri-quase-predio.com

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