20 de jun de 2015

Quando o 1º emprego chega ao Fim


 O papo aqui é sobre emprego e vida, de novo. De novo, de uma perspectiva diferente.

 Como já disse várias vezes, eu realmente destetava meu emprego. Nunca me dei bem com lugares barulhentos, sujos, em que tudo tem um horário, e onde mesmo o seu chefe estando errado você não tem como argumentar (geralmente, porque quem tá na chefia nunca precisou trabalhar lá com o povo, é filho de gente rica ou de outros chefes, ou seja com um Q.I alto). Pior, um lugar que matava minha criatividade e a vontade de fazer a única coisa em que sou boa: escrever.
 Porém. Foi lá também que comecei a conversar com pessoas mais velhas. Sempre achei que as opiniões do povo de mais idade seriam parecidas com a de meu pai: fechadas. Então, foi uma grata surpresa encontrar pessoas mais velhas que sejam abertas a ideias diferentes, e que, de certa forma, ajudaram-me a descer do salto de arrogância para ouvir opiniões contrárias.
 O que eu amadureci de um ano atrás pro hoje... foi mais do que amadureci em dez anos convivendo com pessoas da minha idade, que, agora vejo, tem opiniões mais fechadas e - muitas vezes - menos argumentadas que algumas pessoas mais velhas. Talvez seja meio a meio para ambos os lados.
 No fim, percebi que mesmo que eu odiasse acordar todos os dias às 5h, odiasse olhar pro uniforme, odiasse bater o cartão, odiasse olhar para as máquinas que, na moral, pouco me importava se estavam funcionando ou não, nem queria saber de nada daquilo, e odiasse não poder estar em casa estudando - sim, me julguem, eu gosto de aprender coisas novas. Eu tinha/tenho um enorme carinho pelas pessoas de lá.
 Pessoas, essas, que quando parei para pensar, até que gostavam do que faziam, pessoas que sempre criaram piadas para aliviar o estresse, que tinham opiniões, que estavam longe da família, mas sempre falavam delas com os olhinhos brilhando (principalmente quando falavam dos filhos... ah, se eles soubessem... até quando falavam das discussões, como pode?). Então, sim, eu detestava o que fazia, mas nunca irei desmerecer o trabalho dos outros e, também, mesmo que quisesse, não poderia esquecer esses dois anos, até do meu curso profissionalizante - que também detestei - porque as pessoas não vão embora, elas ficam na memória.
 Se eu fechar os olhos, consigo lembrar de cada risada com meus amigos - que foram o verdadeiro motivo pelo qual eu não joguei tudo pro alto e desisti logo no começo. Eles me ajudaram a criar resistência, a ver o mundo um pouco mais além da rua da minha casa, me fizeram rir quando eu queria chorar.
 Então, sim, detestei tudo que fiz como "trabalho" nesses dois anos - e ainda não entendo como tirava notas boas e recebia elogios sem nem ao menos estar dando 100% de mim, chega a ser injusto - mas eu não me arrependo, quero dizer, tem dias em que me pego pensando que já poderia estar na faculdade, e que se eu pretendo viver até os 50 meu tempo tá acabando. Mas, grande parte do tempo, eu sinto que fiz exatamente o que deveria ter feito, não para que eu ficasse feliz, foi uma mistura de não querer com precisar.
 O que conta foi o que aprendi, os erros que cometi pra aprender, isso tudo me ajudou a desenvolver caráter, personalidade, e eu ainda estou aprendendo, crescendo.
 Não sou do tipo que se apega fácil, então já estou visando outros objetivos, meu foco é outro, agora é só estudar, por isso, vou sumir de novo, e o próximo ano talvez nem poste por causa dos vestibulares.
 Espero que entendam.
 Se eu não fizer sacrifícios, se eu não abrir mão do que sou hoje, nunca vou conseguir alcançar meu objetivo e ser quem eu quero ser. Faz parte, e um dia vocês também terão de fazer essa escolha, e independente de qual seja, espero que fique satisfeito com ela.

Your faults and mistakes give you character.
— Reminder from Vintage Loser (via thevintageloser)

6 comentários:

  1. Entenderemos. Sabe, se você tiver que se afastar, sentiremos falta de seus textos cheios de opinião e passagens divertidas, mas entenderemos. Até porque, será breve... O que é um ano, ainda mais um ano de vestibular? Digo isso porque estou vivendo um, e caramba, mal estou acreditando que já é quase julho!

    Temos de lidar com nossas escolhas e somos livres para, a qualquer momento, mudar o rumo da nossa vida outra vez. Tudo é experiência adquirida e caráter aperfeiçoado. É, é isso aí.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lari <3 Se tu soubesse o quanto isso significa para mim... obrigada...

      Acredito que o pior, nesse caso, seja escolher a direção. Mas a gentee vai tentando, vai errando... quem sabe um dia acerta

      Excluir
  2. É assim mesmo, sacrifícios hoje para ter resultados amanha. Também estou nessa faze de vestibulares, mas dessa vez pegando sério, vou aproveitar e tentar me afastar das coisas em julho e focar nos estudos.
    Boa sorte com as suas escolha que com certeza dará tudo certo

    http://lunanacht.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa sorte para ti também, Luna e bons (dentro do possível) estudos.

      Excluir
  3. Ah, mas nós fazemos essas escolhas o tempo todo. Apenas não percebemos. E a nossa escolha, sempre será a escolha certa! O importante é seguir o coração. Eu vou sentir a sua falta. Já andava sentindo, na verdade. Tenho um imenso carinho por ti. Boa jornada na busca do seu ser. Qualquer busca desse tipo, é sempre uma bênção. Te desejo tudo de bom, sempre. Muito amor e muita luz! *-* Beijão. E sinta-se abraçada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nessa de seguir o coração vou acabar tendo umas 5 profissões, porque quero fazer muitas coisas ao mesmo tempo XD
      Owwn, Ana. Tenho muitos posts nos rascunhos, vez ou outra eu apareço - só não mais com a mesma frequência...

      *VIRTUAL HUG*

      Excluir

Não saia sem comentar!
Comentando vocês nos incentiva a continuar postando e podemos saber de sua opinião quanto ao post e/ou o blog!

OBS: Por favor. Vamos manter a postura.
Sem xingamentos com palavras de baixo calão