8 de mar de 2015

[Como comemorar o] Dia da Mulher


 Pois é... mais um dia 8 de março para se comemorar, yeay!
 Se você não sabe, não é dando uma flor para cada mulher que passa na rua que é o modo mais "legal" de se comemorar esta data (embora esse gesto seja bem gentil e deveria ser praticado no ato de dar flores para todos sempre que sentir vontade, homens e mulheres de todas as idades. Sabe, é legal se sentir apreciado).
 E, mais, se você vive dentro de uma bolha, provavelmente desconhece como essa data surgiu. Conta-se que na data 8 março de 1857, ocorreu uma manifestação de operárias do setor têxtil em Nova Iorque, e que as mesmas foram trancadas em uma fábrica e incineradas vivas. E, apesar da falta de referências históricas e discussões entre a data e outro ano em que uma situação parecida tenha acontecido, a ideia quanto a criação deste dia surgiu na virada do século XX.
 Contudo. Quer isso tenha acontecido ou não, é fato de que as mulheres sofreram, E MUITO, ao longo da história, isso ninguém que tenha estudado história na escola poderá negar. E somente em 1930 que o movimento em busca de direitos iguais tomou força.
 Pois é. 1930 anos, desde a data cristã do nascimento de Jesus, todo esse tempo foi preciso ser tomado para que se percebesse que:
  • NÃO! A mulher não "pertence" ao marido.
  • NÃO! Nós não queremos ser sustentadas, queremos poder trabalhar também!
  • NÃO! Não é certo que nosso pagamento seja menor pelo mesmo tipo de trabalho que um homem faz.
 Bem, esse foi um dos estopins. Lógico,  a ideia da revolução foi amadurecendo, porque só isso não está bom.

 Nós queremos poder sair na rua com a roupa que queremos sem ter medo de sermos abusadas.
 Não queremos nos sentir culpadas ao sermos vítimas.
Não queremos que nos olhem como "loucas" ao dizermos que não queremos ter filhos.
Ou nos casar.
Não queremos ser chamadas de "vadias" só pelo simples fato de se gostar de sexo tanto quanto os homens (o que, se você parar para pensar, é normal, é algo "biológico").
Não queremos que nossos irmãos tenham mais privilégios só pelo fato de serem homens, como ficar até mais tarde na rua.
Queremos poder concorrer à um cargo político e ter mais representação no governo.

E mais, igualdade é para ambos os lados, então:

Não queremos que nossos filhos sejam intitulados de "gays" por usarem a cor rosa ou gostarem de moda.
Não queremos que todos os garotos, repletos de sonhos para ir pra faculdade, sejam obrigados à se alistar. Ninguém deveria ser obrigado a fazer algo que não quer.
Não queremos que nossa sociedade continue com essa ideia ridícula de que o homem tem que sempre pagar a conta. Qualé! Nós trabalhamos para ter o nosso dinheiro também!


 Existem aqueles que não acham "justo" por esta data existir, e não um "dia do homem". Huummm... interessante.... é claro, porque os homens realmente tiveram que lutar durante décadas, séculos, para terem os mesmos direitos humanos que as mulheres, e foram queimados em uma fábrica por isso, foram vistos como objetos sexuais e mercadorias, tiveram o orgulho nulo durante grande parte da história e seus feitos foram até excluídos dela, e quase não se tem nomes de homens nos livros de filosofia e sociologia. Realmente, devemos comemorar essa luta!

 Veja bem. Que tal ao invés de ficar nessa de sair entregando flores, ou pensar em teorias da conspiração das mulheres para dominar o mundo (pffftt, por favor, se você pensa que feministas pensam dessa forma, sorry, mas isso é coisa de femisma, e isso é diferente), que tal você parar para pensar por um segundo em todas as mulheres que sofreram ao longo da história. Em todas as lutas por direitos iguais e, se possível, se colocar no lugar delas.
 Por que não pensar em sua mãe, tia, avó e irmã/s? Pensar que elas poderiam estar nessa situação e, se você conversar com elas, sem dúvida uma delas deve ter uma experiência nada agradável que comprova ainda a existência do machismo camuflado.



 E saiba que, apesar de se ter conquistado muito, não, ainda não temos os direitos iguais. E "quase lá", como diria Pitty, ainda não tá bom. Porém, essa data é pra homenagear todas as mulheres que se levantaram primeiro, afinal, não pode existir uma fogueira sem antes se acender a faísca.
 Deixo já aqui expressa a minha eterna gratidão à cada uma delas, até mesmo às filósofas, escritoras, heroínas e cientistas esquecidas ao longo do tempo, que me servem de inspiração até hoje.
 Sem elas jamais poderia estudar, votar, ter direito à recusar um pedido de casamento e, certamente, não poderia estar usando uma calça jeans agora.
 Sim, ainda existe muito pelo que lutar, ilude-se aquele que acha que realmente temos os mesmos direitos. Acredite, não é preciso ir para países em que isso é mais evidente (como Irã ou Índia) para se ouvir discursos machistas. Mas, ainda assim, acredito que mesmo à passos mais devagar iremos conquistar mais coisas com o tempo, por isso não irei rebaixar as coisas que já conquistamos.
Porque eu não odeio os homens. Porque não odeio nenhum ser humano. Mas espero que um dia possamos todos partilhar dos mesmo direitos.

Em Memória (e Homenagem a) de:

  •  Enheduana, Suméria
  •  Lopamudra, Ïndia
  •  Temistocléia, profetisa e mestre de Pitágoras
  •  Melissa, pitagórica
  •  Safo de Lesbos(VII-VI a. C), poetisa e educadora cretense
  •  Aristocleia (Século V a. C.) tida como tutora de Pitágoras
  •  Theano (546 a. C. -), pitagórica, matemática, esposa de Pitágoras
  •  Aspásia de Mileto (470-410 a. C.), interlocutora de Sócrates
  •  Diotima de Mantineia (427- 347 a C), sacerdotisa, personagem de Platão no "Banquete", que teria iniciado Sócrates no conhecimento do amor. 
  •  Axioteia de Filos (393 – 270 a C), discípula de Platão
  •  Lasteneia, discípula de Platão
  •  Hipárquia de Maroneia, mencionada por Diógenes Laércio
  •  Maria, a judia, ou Miriam (séc. I d C), viveu em Alexandria, ligada à alquimia.
  •  Hipátia de Alexandria (415 d C), exímia matemática e filósofa neo-platônica, mestre na Escola de Alexandria.
  •  Leontiona, filósofa epicurista, 300 a.C. 
  •  Edésia de Alexandria, séc. V a.C. 
  •  Hildegard von Bingen (1098-1179), botânica e mística de inspiração neo-platônica
  •  Heloísa de Paráclito (1101-1164), abadessa e escritora, interlocutora e grande amor de Pedro Abelardo
  •  Akka Mahadevi (1130-1160), poetisa e sábia hindu
  •  Catalina de Siena (1347-1380)
  •  Cristina de Pizan (1365-1431)
  •  Teresa de Jesus (de Ávila) (1515-1582)
  •  Louise Labé (1524-1566), erudita voltada às questões femininas
  •  Oliva Sabuco (1525/30), pioneira em medicina psicossomática, aponta para a relação entre filosofia, cosmologia e medicina.
  •  Mary Astell (1666-1731), pensadora de visão feminista
  •  Maria Gaetana Agnesi (1718-1799), linguista, filósofa e matemática italiana
  •  Mary Wollstonecraft (1739- 1797), educadora e feminista
  •  Olímpia de Gouges (1748-1793)
  •  Harriet Taylor (1807 – 1858), filósofa e interlocutora de Stuart Mill
  •  Rosa de Luxemburgo (1871-1919)
  •  Lou Andreas-Salomé (1861-1937)
  •  Edith Stein (1891-1942)
  •  Maria Zambrano (1904-1991)
  •  Hannah Arendt (1906-1975)
  •  Simone de Beauvoir (1908-1986)
  •  Angela Davis (1944)
  •  Susanne Langer (1895-1985)
  •  Ayn Rand (1905-1982)
  •  Sarah Kofman (1934–1994)
  •  Julia Kristeva (1941)
  •  Martha Nussbaum (1947)
  •  Simone Weil (1909-1943), filósofa e mística francesa.
  •  Isabelle Stengers, filósofa e prêmio nobel de química, teórica do caos. 
  •  Agnes Heller (1929)
 Homenagem especial à Malala Yousafzai, que ainda luta pelos mesmos direitos a educação em seu país.
Clique aqui para conhecer a histórias de Heroínas e kickass-woman do passado (site em inglês).

4 comentários:

  1. Eu fico muito feliz com esse tipo de postagem. Me dá um pouquinho de fé na humanidade, afinal, todo dia, em todas as redes sociais, é visto discriminação e machismo, e, isso não é a coisa mais legal pra se ver depois de um longo e árduo dia de trabalho, ou depois de voltar da exaustiva escola. As vezes, eu gostaria de ter uma máquina do tempo, e evitado esse tipo de coisa. O seu texto foi bem inspirador, sabe, do tipo que você se enche de sentimentos bons e quer sair por ai repartindo esses sentimentos com tudo e com todos.

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    1. Anony-san - high five o//
      Muito obrigada pelo elogio <3 - afinal, não sabia que era capaz de transmitir esse tipo de sentimento, now i'm happy

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  2. Amei o post, e tua opinião, e sinceramente, não sei como existe pessoas
    que pensam diferente, que consigam aceitar tanta desigualdade que ainda existe. Ah, e o pior do dia da mulher é as piadinhas ignorantes que os
    homens fazem, sempre fico indignada.
    http://www.theworldoflena.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, Lena.
      De fato, ainda não consigo compreender como existem pessoas de opiniões arcaicas... Piadas são engraçadas. Estupidez, não.
      Again, arigatou <3

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