13 de set de 2014

Butterfly


 Gosto de observar as coisas ao meu redor.
 Consigo ficar em silêncio por muito tempo quando estou entretida, sem me constranger caso esteja acompanhada, somente olhando para o balanço das folhas, respirando fundo e esticando as pernas, o ar puro sempre foi melhor, o quadro fica completo se estiver ouvindo música.
 Mas o cenário muda em uma fábrica.
 Tudo é tão monótono, tão frio e padronizado, além de barulhento também, e mesmo eu não sendo uma pessoa neurótica sinto-me incomodada pela sujeira. Marcas no chão indicam por onde você pode ou não seguir, exite hora para tudo...
 Procuro pedacinhos do céu pelas poucas janelas e portões abertos ao final dos longos corredores, e sinais de vida - até mesmo algumas pessoas parecem fadigadas de mais para transmitir algum.
 Andando por um dos trechos marcados no chão, um sorriso apareceu em meu rosto enquanto olhava para uma borboleta laranja voando, em seu próprio ritmo, pousando entre uma  máquina e outra de maneira silenciosa e imperceptível para a maioria, era o sinal de uma pequena liberdade, vida, calmaria. Mas logo tive que ir, me chamavam para cuidar de outro assunto.
 Retornando para a rotina, essa pressa, afobação, esse sentimento em meu peito de prisão e perda de controle sobre meus pensamentos, vontade de fugir... quem me dera ser como uma borboleta e voar para longe de tudo, nem me importaria de ser pequena...
 Um acidente. Vazamento de óleo.
 No canto, encostada e imóvel... veja só, a borboleta se afogou e ninguém notou.

2 comentários:

  1. Seu texto me lembrou uma porção de coisas...

    Coisa número 1: uma cena de um filme que assisti há uns anos, cujo nome não me lembro. Ele se passa em 2019, época em que se pressupõe, no filme, ser comum pagar por clones seus no caso de você adoecer e precisar de um novo órgão, ou qualquer coisa do tipo. Ah, lembrei: "A Ilha". O nome do filme é "A Ilha". Na cena a que eu me referia, o clone-protagonista, explorando o lugar onde era mantido preso, acaba vendo um inseto (se não estou enganada, justamente uma borboleta) e fica admirado por ele, por sua delicadeza e liberdade. Vou parar por aqui na "coisa número 1" porque minhas lembranças são imprecisas, e pode ser que eu já esteja falando mudagem quanto ao enredo.

    Coisa número 2: Revolução Industrial. Capitalismo, inovações tecnológicas. Século XXI. Milhares de pessoas com as caras enfiadas em smartphones, ignorando a beleza cotidiana, os momentos reais, em prol de uma felicidade que não é verdadeira, e sim baseada em aparências e materialismo.

    Coisa número 3: lembrei que sempre amo seus posts. Sempre.

    Comentado com carinho, Jeito Único

    ResponderExcluir
  2. Você queria sumir como uma borboleta? Quem nunca...?
    Eu já usei muito borboletas e lagartas em meus textos como metáforas... Sempre me senti num casulo (lagarta) querendo virar uma borboleta... Elas são lindas, mas são tão frágeis...
    A apatia das pessoas é realmente algo que não ajuda. Tenho tantos textos sobre isso... Até mesmo tenho uma paranoia com a cor cinza, pois me soa como algo não vivo. Sei lá. Algumas pessoas são cinzas.
    Ar puro é vida. Olhar o céu também. O vento bater no rosto é ótimo. Sou a favor de fazermos coisas que nos lembrem como é bom estarmos vivos. Sabe, eu parei de estudar duas vezes na vida. E dessa vez, eu já pensei em desistir... mas lembro o quanto estou adorando cursar Direito e o que não devo desistir. Lute por coisas que você gosta, moça. Não hesite em lutar pelo que te faz se sentir viva... Independente de ser borboleta ou não.
    Mas, por outro lado... Algumas vezes é bom dar um tempo. Não me arrependo de ter feito um intervalo de um ano para ingressar na universidade. Como sempre digo: faz o que sente que se tem que fazer. Só faça esse silêncio e se escute. É um desafio que vale a pena.
    Um cheiro (conhece essa expressão)? haha

    ResponderExcluir

Não saia sem comentar!
Comentando vocês nos incentiva a continuar postando e podemos saber de sua opinião quanto ao post e/ou o blog!

OBS: Por favor. Vamos manter a postura.
Sem xingamentos com palavras de baixo calão