3 de ago de 2014

Outra carta não entregue


Basicamente, meus sentimentos, relacionados à uma pessoa, em palavras que nunca serão ditas.

 Desculpe por ser inconveniente. Sei que sou, ou pelo menos me sinto assim.
 Queria muito ser como os meus amigos e saber puxar assunto, você não sabe o quanto eu quero falar com você, mas palavras nunca foram o meu ponto forte. Sou do tipo que pensa muito, chega a várias conclusões e roteiros, mas não consegue colocar em palavras nem escrever em belos versos. A intenção é boa, eu juro.
 Pensei bastante sobre o porquê desse sentimento, achei que era uma coisa relacionada a esse tal de "amor" que ouço por aí, porém percebi que é porque quero ser amiga.
 Faz sentido isso? Se sentir frustrada desse jeito por querer fazer uma nova amizade?
 Não posso ler a mente de outras pessoas, então não sei ao certo como você se sentiu ao longo desse meu impulso e súbita loucura.
 Nunca fui boa em começar amizades, na verdade os poucos amigos que tenho que tomaram a iniciativa ou foram empurrados por suas mães para mim. Estou tentando melhorar isso, sinto muito se por um acaso se considerar uma "cobaia", saiba que estou fazendo o meu melhor - mesmo ele não sendo lá grande coisa.
 Perdoe-me por me aproximar desse jeito mesmo sabendo que tenho pouquíssimas qualidades.
 Não sou interessante, não sou lá muito diferente, não tenho nenhum brilho especial, minha aparência não é lá grande coisa e meus maiores talentos estão entre "estragar tudo" e "não conseguir se expressar da maneira que quer". 
 E mesmo assim ouso dizer que só quis me aproximar por me sentir semelhante.
 Por favor, não ache que meus defeitos se aplicam a você, não. Estou falando de pequenas coisas, ínfimas, sabe?
 Você tem aquele brilho único que eu admiro nos outros desde criança.
 E como tudo que eu já fiz em minha vida, eu deixei isso "não terminado". Parei antes do meio do caminho.
 Gostaria muito de jogar a culpa em todas as outras decepções pelas quais já passei e nesse medo que me engole por não ser boa o suficiente ou, de alguma forma, te decepcionar como eu decepciono todo mundo.
 Disse "oi" só para depois dizer "adeus", não é o que parece?
 É. Eu sou complicada (na verdade complico as coisas) e idiota, okay? Tão idiota que ao invés de tentar puxa-assunto - coisa em que sou péssima- ou explicar isso tudo para você... aqui estou eu transformando isso em mais um arranjo de palavras que eu tento enfeitar desajeitadamente. 
 Apesar de não me sentir capaz de continuar com isso, por puro medo mesmo, queria agradecer por me dar a oportunidade de tentar... poucas pessoas me deram ela, estava até começando a questionar a possibilidade de ser só porque eu sou eu.
 Talvez seja só minha impressão, contudo, penso que encontrei o tipo de pessoa a quem um dia me disseram ser como "Sol". Não quero, não vou e nem estou te idealizando, porém foi algo que senti. Do tipo que todos querem estar em volta, sempre que olhei para você tive a impressão de estar rindo, que se quer ter como amigo... Bem contrário de mim, aquela a quem consideram "nevasca", ou pelo menos foram o que falaram sobre mim.
 Espero que você continue sendo Sol.
 Só sinto por não ter trocado todas as palavras que quis e ficaram em minha garganta - assim como no passado, em que perdi a oportunidade de falar com muitas pessoas por causa disso.
 Mas o que mais há de se esperar de uma pessoa que é Lua, inverno e noite?


Você sabe que eu sou indecisa, você sabe que eu sou confusa, um poço de drama, um pedacinho do céu nublado, que eu sou boba, dou risada de tudo, procuro um lado bom em qualquer coisa mesmo que ninguém mais acredite que exista. Você sabe que faz Sol, mas que também neva aqui dentro. Você sabe que eu tenho o incrível poder de falar bobagens e viver mais na lua do que aqui.
— Confused 

2 comentários:

  1. E será que é possível não se identificar com suas palavras não ditas, com suas palavras escritas? Porque eu me identifiquei em diversos aspectos. É difícil ser um "animal social", não saber ler pensamentos, viver desconfiado porque o mundo é uma fábrica de pessoas que nos fazem considerar a desconfiança como autoproteção. É difícil, principalmente, tentar agradar. Porque num minuto de coragem estupenda você vai lá e fala, fala, fala e depois pensa: "Por que estou falando tudo isso? Que idiota eu sou!". Este é um dos aspectos com os quais me identifiquei. Temer as palavras faladas, pelo menos em certos momentos ou com certas pessoas. É o maldito medo de não ser aceito...

    Comentado com carinho, Jeito Único

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    Respostas
    1. Não é só desconfiança, acho que, recentemente, tá tendo mais pro medo kkkkk' olha só, que ironia, a pessoa que não tem medo de "situação" tem medo de "pessoas"... ai, ai... como isso é possível?

      "Porque num minuto de coragem estupenda você vai lá e fala, fala, fala e depois pensa: "Por que estou falando tudo isso? Que idiota eu sou!""
      Tu acabou de me definir.
      Chego a ser idiota... demoro uma semana inteira pra reunir coragem pra falar uns 15 minutos...

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