10 de jun de 2014

Just another day in bus



 Outro dia, lá estava eu sentada junto à janela do ônibus com a cabeça encostada no vidro. Chovia e estava frio, mas não me importei muito com isso já que esse tempo depressivo, para alguns, sempre me pareceu aconchegante.
 Mas, naquele dia em particular, isso aumentava minha sensação de estar em um vídeo clipe triste em que era a protagonista.
 Jason Walker começou a tocar em meus fones, logo depois de Nickelback.
 Estava tão cansada dessa rotina, de fazer tudo isso. Nunca fui do tipo que se deixa abater por essas coisas, sempre fui vista como aquela que é o ombro amigo, o consolo, de palhaça a coração de gelo aos olhos dos amigos; E, veja só, estava abatida, um soldado caído. Com um porém: Jamais tive meu próprio ponto de apoio, talvez por exceção de meus fones.
 Sempre foram meus confidentes.
 Mas às vezes a  gente sente falta de alguém que repare em nós.
 Parei um pouco de pensar em minha própria desgraça para que pudesse olhar ao redor, de relance.
 Uma senhora conversava em um celular de modelo ultrapassado, um senhor de idade avançada tossia, a mulher ao meu lado, um pouco afastada, olhava para a frente também de fones, e uma garota sentada a minha frente estava como eu.
 Suspirei. Era um cena bem deprimente.
 Comecei a imaginar de onde essas pessoas vinham, e se alguma delas pensava isso de mim. Acho que não.
 O primeiro a descer foi o senhor. Demorou um pouco e se foi lentamente. Sua expressão era de cansaço.
 Aquela que falava ao celular desceu gritando, estava tão irritada com a outra pessoa que quase caiu das escadas do transporte (meu lado um pouco sádico permitiu-me abrir um sorriso de canto e escondê-lo rapidamente, nunca gostei de pessoas que gritam desse jeito).
 Depois de ajeitar a bolsa, a mulher ao meu lado foi logo em seguida, ainda com a expressão de desinteresse.
 O silêncio continuava. E tornei a pensar em coisas desnecessárias relacionadas a mim, o que fez com que uma pequena lágrima escorresse pelo meu rosto.
 Reparei que a garota a minha frente fungava. Ela também chorava.
 Meu lado "consolador" fez com que sentisse pena e quisesse lhe dar um abraço, apesar de também precisar de um ultimamente.
 Fiquei observando-a enquanto descia, agora usando o gorro do moletom para esconder o rosto choroso.
 Isso fez com que eu pensasse se tudo aquilo que estivesse passando talvez ela também estaria em uma situação semelhante, e em como eu queria descer daquele ônibus e ir pra casa. E me isolar.
 Definitivamente, não poderia estar com a expressão cansada, irritada, chorosa ou indiferente, porque, independentemente do que me acontecia, alguém poderia precisar ver meu lado, nas palavras de uma amiga, espontâneo, alegre, um pouco inconveniente e forte.
 Desci um pouco depois.
 Precisei usar o meu capuz também.

Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo. Para qualquer escolha se segue alguma consequência, vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder para aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos. Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.
— Charles Chaplin.

2 comentários:

  1. Meu coração acelerou lendo esse texto. Eu nunca consigo ficar triste com tempos assim, não consigo. Cinza me deixa feliz e chuva então... E me faz ter boas recordações... Enfim, o texto.
    Eu também sou assim. Se seus confidentes são os fones, o meu são as palavras. Ou meus gatos... Não sei você, mas eu também sou assim pois odeio dar o braço a torcer de que preciso de ajuda. Odeio pedir socorro. Prefiro ajudar dez pessoas a superar algo do que pedir a ajuda de apenas uma. O máximo que faço, é compartilhar certas coisas que me perturbam. Só. E logo trato de acrescentar "tô bem" e até mesmo "não preciso de ajuda, sempre resolvi tudo só" (o que não é mentira, é assim desde a infância, praticamente).
    Só que é normal. Algumas vezes, explode. Alguém diz algo na hora que não deveria, ou faz algo que nos atinge de cheio na alma, ou o dia só acabou sendo uma merda... E então sentimos isso. É normal. Pois, inclusive, precisamos de um tempo para respirar. E querer ser um porto seguro pra todos em sua volta, é puxado! As pessoas mal se sustentam e queremos sustentar todos que pudermos além de nós mesmos... É complicado. E sei como sua rotina de estudos e trabalho é pesada. O importante, é não desistir. Pois ninguém é de ferro e completamente forte e feliz, né? Somos feitas de carne e osso, sonhos e esperança e temos bateria. Uma hora, cansa um pouco. Mas depois, dispensamos novamente o capuz.
    Parabéns pelo texto, ficou lindo. Nunca vi seu rosto, mas imaginei tudo. A cena toda. hahaha E se eu fosse escrever sobre cada ponto que me identifiquei em seu texto, eu não acabaria tão cedo. Faria outro post. hehe Beijo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu amo quando o tempo está desse jeito, mas nesse dia em particular foi tenso.
      Ai, ai... esses cantores e compositores precisam parar de me espionar antes de criar uma música, porque parece que muitas me definem. Eu não gosto, detesto de verdade, mas só quando é relacionado às minhas emoções, a minha situação, quando é, por exemplo, pra estudar eu não me importo, mas esse tipo de coisa.... simplesmente não dá.
      Geralmente, muitos dos meus dias tem sido uma merda.
      Vou te admitir que tô ficando meio enferrujada nisso, hein kkkk
      Ohhhhhhhhhhhh, seus comentários são puro amor, obrigada Ana <3
      Beijos de Luz sua linda.

      Excluir

Não saia sem comentar!
Comentando vocês nos incentiva a continuar postando e podemos saber de sua opinião quanto ao post e/ou o blog!

OBS: Por favor. Vamos manter a postura.
Sem xingamentos com palavras de baixo calão