9 de mar de 2014

Eu sou um robô

Texto escrito em uma segunda-feira chuvosa, nublada e melancólica.

 Hoje, fiz as mesmas coisas que faço todo dia.
 Levantei, tomei café, escovei os dentes e me arrumei.
 Saí do trabalho, almocei, escovei os dentes, troquei de roupa e fui para o curso.
 Cheguei em casa, tomei banho, tomei café, escovei os dentes e fui para escola.
 Quando retornei para casa, somente tomei uma ducha, troquei de roupa, jantei e escovei os dentes para ir dormir e repetir tudo isso no dia seguinte. E no seguinte, e nos seguintes...
 Porém, me chamaram de "robô" em uma roda de amigos. Enquanto eu ria com eles por fora, me apavorei por dentro. Passei a me perguntar se eu era mesmo tão sistemática assim, e previsível.
 Aos finais de semana em que eu deveria, supostamente, descansar e fazer o que eu "quisesse", eu estudo e faço trabalhos escolares. 
 Sinto tantas saudades de antes, quando tudo me parecia ser uma aventura, e eu tinha tempo para embarcar em qualquer uma.
 O tempo passou.
 Levou alguns amigos, levou algumas ideias pré-concebidas e, até mesmo, meu tempo. E sinto que tá levando minha disposição aos poucos, de brinde.
 Como não demonstro minhas emoções tão facilmente e sempre exponho minhas ideias e maneira de ver o mundo (meio amarguradas e duras de mais, admito) aos meus amigos, eles, ainda, tem a imagem de que sou uma pedra. Uma pessoa sem sentimentos. Mas, bem, na verdade, eu sou bem sensível. Entretanto, odeio demonstrar fraqueza, por isso estou sempre inexpressiva por de trás de um sorriso. É mais fácil assim, não acham? Pena que daí as pessoas se cansam, não conseguem ver além disto e eu sinto como se ninguém pudesse me compreender. E, realmente, não podem.
 Ainda me questiono o porquê de eu fazer isso tudo, de me preocupar tanto, de me esforçar além do meu limite. Achava, antes, que isso era o "certo" a se fazer, porém, conforme vou vivendo mais a cada dia que ganho e, consequentemente, perco, fico com mais medo. Medo de que esteja me enganando. Dizendo palavras que colocaram em minha cabeça e que tomei por certas.
 Será que minha vida deve se resumir a estudar e trabalhar?
 Se morresse hoje, meu epitáfio seria qual? 

 "Aqui jaz Juliana. Não era a mais divertida, não era a mais aventureira, não era a mais festeira, não era a mais bonita, não é mais"

Você não ia aguentar. Sou muito entediante. Falo sério. Eu devia trabalhar como recepcionista numa dessas clínicas do sono.
— Gabito Nunes. 

2 comentários:

  1. Devemos sempre tirar um tempo pra ficar sem fazer nada e relaxar, ou fazer aquilo que queremos realmente. Eu também seguia um padrão antigamente, hoje eu não faço mais certos roteiros.
    beijos

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    Respostas
    1. Olha, Lola, fácil falar e difícil fazer para uma covarde como eu. Acho que todos temos noção disso, porém, são poucos que tem a coragem de ser assim.
      Infelizmente, sempre sinto que isso não é pra mim D:

      Excluir

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